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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Lei que estabelece cotas para trabalhadores com deficiência completa 25 anos

Principal dificuldade ainda é o cumprimento da legislação pelos empregadores



Eles são inteligentes, bem humorados, dispostos a ajudar e ansiosos por um emprego. Mas têm algum tipo de deficiência física sensorial, mental ou intelectual que dificulta sua inserção no mercado de trabalho, apesar da Lei 8.213, de 1991 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8213cons.htm). A regra determina que empresas com 100 ou mais empregados são obrigadas a preencher, de 2% a 5% dos seus cargos, com beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência. A legislação completa 25 anos no próximo domingo (24), mas ainda não conseguiu tornar realidade o sonho de quem tem tudo para ajudar, como a maioria dos trabalhadores, mas não recebe a oportunidade de provar o seu potencial.

Se seguissem a lei, as empresas brasileiras gerariam pelo menos 827 mil vagas para pessoas com deficiência ou beneficiário reabilitado. De acordo com estimativa baseada no censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há no Brasil, pelo menos sete milhões de pessoas com deficiência elegíveis para a cota. No entanto, as empresas geraram apenas 381.322 postos, conforme os registros da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho de 2014, o dado mais atual. O número é quase três vezes menor do que a real capacidade prevista na legislação.

“Se esses empresários pelo menos tentassem contratar uma pessoa com deficiência, eles veriam o quanto estariam ajudando essas pessoas e a si mesmas”, garante a encarregada dos operadores de caixa e empacotadores de um supermercado em Brasília, Marielda Domingos Vieira. Ela é a responsável pelo funcionário Irlan Alves Lopes, 34 anos, que, apesar da deficiência, trabalha no local como empacotador há nove anos e sete meses, conforme cálculo que o próprio Irlan tem na ponta da língua. “É que eu adoro trabalhar aqui”, explica.

Irlan já trabalhou em uma empresa de limpeza antes, mas não gostava muito. Acha que o trabalho no mercado é mais interessante. “Eu empacoto, faço entregas e converso com as pessoas. Eu gosto muito de falar com as pessoas”, conta.

De acordo com a auditora fiscal, Fernanda Cavalcanti, responsável no Ministério do Trabalho pela fiscalização do cumprimento da Lei de Cotas, muitas empresas acabam contratando as pessoas com deficiência apenas depois de multadas. Elas alegam que não possuem vagas adequadas a esses trabalhadores, já que muitos deles possuem limitações físicas ou intelectuais que dificultariam sua inclusão. “Mas é sempre bom lembrar que os postos de trabalho devem ser adaptados às pessoas, com e sem deficiência, e não as pessoas devem se adaptar aos postos de trabalho”, pondera.

A secretária de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho, Maria Teresa Pacheco Jensen, espera que a inclusão de pessoas com deficiência, que hoje é imposta pela lei, se torne uma realidade natural para toda a sociedade. “A mudança cultural é urgente, no sentido de romper preconceitos e a comunidade passar a reconhecer que os esforços devem ser coletivos. Sabe-se que muito ainda deve ser feito para que a pessoa com deficiência possa transitar livremente e com autonomia em todos os espaços públicos e, principalmente, ter condições de manter-se com o fruto de seu trabalho e integrar-se. A parcela de responsabilidade cabe à sociedade em geral e às empresas, em particular”, defende.

Para tudo ficar especial
O sorriso sempre aberto é a principal característica da atendente Kelly Elisangela Rodrigues de Sousa, 41 anos, que há 13 trabalha para uma rede de fast-food em Brasília – o único emprego dela com carteira assinada. Seja limpando e organizando as mesas, montando os lanches ou entregando os pedidos aos clientes, o bom humor está sempre presente. “Gosto de fazer tudo. Adoro meu emprego”, empolga-se.

O chefe dela, o gerente Anderson Rocha, garante que não é apenas Kelly que sai ganhando: “Quando a gente trabalha com uma pessoa especial, o ambiente todo fica especial. Ela traz humanidade para o ambiente de trabalho”.

A presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal (Apae-DF), Wilma Chaves Kraemer, entende que muitas empresas não contratam pessoas com deficiência porque desconhecem suas capacidades. Na opinião dela, a lei, apesar de não ser cumprida em sua totalidade, tem o mérito de, mais do que obrigar, mostrar aos empregadores as potencialidades desses trabalhadores. “Muitos empregadores acham que as pessoas com deficiência não vão dar conta do trabalho. Mas depois, acabam mudando de ideia e vendo o quanto isso é importante para a empresa e também para o trabalhador, que se sente importante e se dedica ao máximo para corresponder às expectativas de quem o contratou”, analisa.

A Apae-DF mantém atualmente cerca de 500 pessoas com mais de 14 anos fazendo oficinas profissionalizantes em uma de suas quatro unidades. Eles fazem treinamento nos mais diferentes ofícios como lavanderia, confeitaria, restauração de livros e atendimento ao público, entre outras atividades. De lá, saem prontos para o mercado de trabalho.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

FRIO: CUIDADO COM AS LESÕES MUSCULARES



Membros inferiores como coxa e tornozelo são os locais que mais sofrem 

Distensões e estiramentos. Esses são os tipos de lesões musculares mais comuns entre a população brasileira. Durante o inverno, eles se tornam ainda mais frequentes, por isso é necessário uma atenção maior ao problema. 

De acordo com o Dr. Antônio Alexandre Faria, ortopedista do Hospital San Paolo, centro hospitalar localizado na Zona Norte de São Paulo, a baixa temperatura provoca o aumento da contração muscular para preservar mais sangue em áreas nobres (coração, pulmão, etc). “Isso é um mecanismo de defesa para preservar o calor do corpo”, afirma.

As pessoas com menos preparo físico são as que mais correm o risco de sofrer, pois o músculo está menos preparado para um esforço maior. “Caso queira evitar lesões musculares durante o ano todo, principalmente no frio, o alongamento e o aquecimento antes da atividade física são fundamentais. Agasalhar-se também é importante, diminuindo assim a contração muscular involuntária”, declara o médico. 

Os locais do nosso corpo que mais sofrem com esse tipo de reação são os membros inferiores (coxa, perna, tornozelo e pé). Caso ocorra a lesão, o médico aconselha o repouso e a suspensão momentânea de exercícios. O período de afastamento das atividades físicas pode chegar a seis semanas.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Temer defende geração de empregos no Paraná‏




O presidente em exercício Michel Temer participou, nesta terça-feira (28), da inauguração da fábrica de celulose da Klabin, maior produtora e exportadora de papéis do Brasil, localizada no município de Ortigueira, no Paraná. Durante entrevista à imprensa, Temer destacou que o novo empreendimento gera, apenas neste primeiro momento, mais de 1.500 postos de trabalho, além de oferecer trabalho a cerca de 40 mil pessoas durante a construção da fábrica, “o que mostra as potencialidades do Brasil”, ressaltou.

O presidente reforçou também a integração entre o Executivo e o Congresso Nacional, conquistada pelo atual governo, possibilitando a aprovação de projetos relevantes para o País. Entre eles está o projeto que solucionou as dívidas dos estados com a União. “Apenas no Paraná, cerca de R$ 500 milhões serão reinvestidos gerando ainda mais empregos”, argumentou citando, ainda, a limitação dos gastos públicos proposta pelo governo, com emenda constitucional já encaminhada ao Congresso.


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sexta-feira, 24 de junho de 2016

PEDALADAS FISCAIS DE FERNANDO HADDAD GEROU DEFICIT DE R$90 MILHÕES


Fernando Haddad
Relatório técnico do TCM traz risco à aprovação das contas de Haddad de 2015, alerta Natalini

Um relatório técnico de 501 páginas (link abaixo), elaborado por auditores do Tribunal de Contas do Município, compromete as contas de 2015 do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. “Existem 35 infringências gravíssimas”, aponta o vereador Gilberto Natalini (PV-SP).

Ao todo os auditores indicaram 190 infringências. As contas de Haddad serão apreciadas pelo TCM na próxima quarta-feira, dia 29. Além das 35 gravíssimas, Natalini levantou outras 41 faltas graves, 112 recomendações e 2 itens prejudicados. “Faço um apelo para que os senhores conselheiros do TCM votem tecnicamente, conforme o ótimo relatório produzido pelos auditores”, afirma Natalini (ofício do vereador aos conselheiros do TCM no link abaixo).

Em seu balanço apresentado no final de março, o prefeito de São Paulo apresentou um superávit de R4 3,9 bilhões nas contas de 2015. O relatório do TCM concluiu, porém, que houve um déficit – não um superávit – de R$ 90 milhões. “Haddad fez todo o tipo de pedaladas”, relata o vereador do PV. “De forma recorrente, o prefeito pegou recursos de investimentos e jogou no custeio da máquina administrativa. Isso é gravíssimo”.

Quatro conselheiros devem votar a aprovação ou a rejeição do parecer técnico sobre as contas do prefeito. Se houver empate, o voto decisivo será do presidente do TCM. Depois caberá à Câmara Municipal apreciar a decisão dos conselheiros.


Gilberto Natalini (PV)
aponta as pedaladas de Haddad
Pedaladas

Entre as diversas manobras efetuadas pela Prefeitura e apontadas no relatório do TCM, Natalini selecionou os seguintes oito exemplos:

- O município adiantou irregularmente dinheiro do caixa da Prefeitura para 18 obras do PAC (recursos federais), o que prejudicou outros investimentos na cidade. Agora, falta o ressarcimento federal de R$ 327,6 milhões.

- O governo municipal lançou mão de recursos do Fundo Municipal de Desenvolvimento do Trânsito para construir ciclovias e pintar faixas, o que é irregular.

- As empresas CET e SPTrans prestaram serviços de R$ 15,2 milhões sem cobertura orçamentária e precisam ser ressarcidas por indenização.

- O prefeito usou R$ 33 milhões para suplementar dotações orçamentárias em maio de 2015, com superávit do balanço de 2014. Só que em junho de 2015 o TCM apontou ter havido déficit – e não superávit – em 2014.

- No lugar de aproveitar o superávit de R$ 44 milhões verificado na área de Educação em 2014, conforme previsto em lei, a Prefeitura alocou dinheiro corrente, do Tesouro Municipal, no pagamento de despesas do setor em 2015.

- Não existe comprovação de repasse de 5% da arrecadação com multas para o Fundo Nacional de Segurança do Trânsito em 2015, de acordo com determinação legal.

- Em outra afronta à legislação, a Prefeitura passou para a Secretaria de Finanças, por decreto, a gestão das contas das Operações Urbanas que, por força de lei, cabe à SP Urbanismo.

- A Prefeitura usou recursos de investimento do Fundo Especial do Meio Ambiente para despesas de custeio nos parques municipais.


Documentação:

- RAF 2015

- Oficio TCM - 24 de junho de 2016

- Contas de Haddad de 2015

domingo, 19 de junho de 2016

SP ganha primeiro AME exclusivo para idosos

Unidade ambulatorial do governo do Estado oferecerá atendimento em 21 especialidades para idosos com 60 anos ou mais da zona Oeste da capital

O governador Geraldo Alckmin inaugurou nesta sexta-feira, 17 de junho, o primeiro Ambulatório Médico de Especialidades (AME) do Estado de São Paulo voltado exclusivamente para a população idosa.

O “AME Idoso”, situado no bairro da Lapa, zona Oeste da capital paulista, contará com atendimento em 21 especialidades médicas e não-médicas (veja todas abaixo) e equipe multidisciplinar voltada para o público a partir dos 60 anos de idade. A unidade será gerenciada em parceria com Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

O serviço, totalmente adaptado para facilitar o acesso aos idosos, receberá pacientes encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde da região oeste, que atendam aos critérios de admissão.

Com investimento total de R$ 10,7 milhões para obras e equipamentos, o AME também contará com serviços de assistência social e reabilitação que serão implantados de forma gradativa. Ao atingir plena capacidade, o ambulatório do governo do Estado poderá realizar mais de 136 mil atendimentos anuais, entre consultas médicas e não-médicas, cirurgias ambulatoriais, exames, atendimentos de odontologia e atendimentos em grupo.

"O envelhecimento populacional e o aumento da proporção de idosos na população é uma realidade, e a zona Oeste da capital paulista é uma das regiões com elevada presença dessa faixa etária. Por isso a preocupação em oferecer um atendimento ambulatorial e assistência especializados para esse público, com instalações modernas e equipe altamente especializada”, afirma David Uip, secretário de Estado da Saúde de São Paulo.

O AME Idoso Oeste faz parte do programa "São Paulo – Amigo do Idoso", baseado no projeto "Envelhecimento", da Organização Mundial de Saúde (OMS). O serviço fica na Rua Roma 466, Lapa. O horário de funcionamento será das 7h às 19h, de segunda a sexta-feira.



Especialidades médicas:

Cardiologia, Dermatologia, Geriatria, Endocrinologia, Otorrinolaringologia, Ginecologia, Neurologia, Oftalmologia, Reumatologia, Urologia.

Especialidades não médicas:

Assistência Social, Arteterapia, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Terapia Ocupacional.

Serviço de Apoio Diagnóstico:

Audiometria, Colposcopia, Dioptria, Ecocardiograma, Eletrocardiograma, Fundo de Olho, Holter, Mapa, Nasofibroscopia, Odontológico, Pressão Intraocular, Raio-X Simples, Teste Ergométrico, Ultrassonografia Simples e com Doppler.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Sopa de Chocolate é atração para os namorados no Festival da CEAGESP


O Festival de Sopas CEAGESP programou para o Dia dos Namorados uma Sopa de Chocolate com Frutas. O sabor especial estará no cardápio apenas no domingo, 12 de junho. Porém, as sopas desta semana (de quarta a domingo) são de dar água na boca: Sopa de Chilli Mexicano, Sopa de Mandioca Cremosa com Carne, Sopa de Yakisoba e Creme de Formaggio com Zucchini, além da tradicional Sopa de Cebola, nas versões gratinada e sem gratinar.

Para saborear à vontade todas as sopas do Festival, quantas vezes quiser, o preço é fixo em R$ 33,90 por pessoa. Bebidas, sobremesas e antepastos são cobrados à parte. Toda semana, tem sopa diferente no cardápio, quando novos sabores substituem os do período anterior. Mas a Sopa de Cebola permanece fixa no cardápio de todas as semanas.

O preço inclui ainda os complementos das sopas como pães, croutons, queijo ralado, pimentas e outros itens, que ficam próximos ao local onde são servidas as sopas. O Festival de Sopas CEAGESP também oferece uma carta de vinhos de várias nacionalidades, sucos, refrigerantes e outras opções de bebidas. Entre as sobremesas, o destaque é para o merengue de morango.

O Festival funciona de quarta a domingo no Espaço Gastronômico CEAGESP. Às quartas, quintas e domingos, o horário é das 18h à meia-noite. Às sextas e sábados, fica aberto até as 2h da manhã. A entrada é pelo portão 4 da CEAGESP (altura do 1.946 da avenida Dr. Gastão Vidigal, na Vila Leopoldina, zona oeste da capital). O estacionamento, no mesmo local, tem preço fixo de R$ 10.


FESTIVAL DE SOPAS CEAGESP

Quando: Até 21 de agosto – De quarta a domingo
Horário: Quartas, quintas e domingos, das 18h à meia-noite; sextas e sábados, até as 2h da manhã
Onde: Espaço Gastronômico CEAGESP – Portão 4 da CEAGESP (altura do 1.946 da av. Dr. Gastão Vidigal, na Vila Leopoldina, zona oeste da capital) – Estacionamento a R$ 10
Preço: R$ 33,90 por pessoa (Bebidas, sobremesas e antepastos cobrados à parte)
Site: www.festivaisceagesp.com.br


segunda-feira, 23 de maio de 2016

MEC libera mais de R$ 210 mi para instituições federais



O Ministério da Educação e Cultura (MEC) liberou, na última semana, recursos financeiros no total de R$ 211 milhões para as universidades federais e os institutos federais de educação, ciência e tecnologia.

O montante foi dividido em duas parcelas. A primeira, de R$ 163 milhões, foi liberada na última quarta-feira (18), e a segunda, de R$ 48 milhões, foi disponibilizada nesta sexta-feira (20).

A primeira liberação é destinada à manutenção e custeios (serviços terceirizados, material de consumo, energia elétrica, água e outras despesas) das 63 universidades e dos 41 institutos federais em todo o País. O recurso também deve atender a essa mesma previsão para hospitais universitários. Já a segunda parcela deve ser aplicada em pagamentos de bolsas aos estudantes.

O auxílio financeiro aos universitários, para o atendimento de assistência à moradia estudantil, alimentação, transporte, entre outros benefícios, tem como objetivo apoiar a permanência de estudantes de baixa renda nas universidades e institutos federais.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

MICHEL TEMER TRANQUILIZA CLASSE ARTÍSTICA





O Presidente interino Michel Temer divulgou agora a noite um áudio tranquilizando a classe artística. Ele declarou que a fusão entre os Ministérios da Cultura e Educação tem por objetivo ampliar ainda mais os incentivos. 

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terça-feira, 17 de maio de 2016

Em cinco anos, Brasil perde 23,6 mil leitos de internação no SUS

CRISE NA SAÚDE

Nova análise do Conselho Federal de Medicina aponta queda de leitos do SUS em 19 estados desde 2010. Pediatria, psiquiatria e obstetrícia seguem como áreas mais comprometidas.

Quase 24 mil leitos de internação, aqueles destinados a pacientes que precisam permanecer num hospital por mais de 24h horas – foram desativados na rede pública de saúde desde dezembro de 2010. Naquele mês, o país dispunha de 335,5 mil deles para uso exclusivo do Sistema Único de Saúde (SUS). Em dezembro de 2015, o número baixou para 312 mil – uma queda de 13 leitos por dia. As informações foram apuradas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) junto ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde.

Para o presidente do CFM, Carlos Vital, o levantamento mostra, em números, a falta de leitos vivida diariamente por médicos e pacientes nos hospitais brasileiros, o que acaba provocando atrasos no diagnóstico e no início do tratamento, aumentando a taxa de mortalidade. “A insuficiência de leitos para internação ou realização de cirurgias é um dos fatores para o aumento do tempo de permanência nas emergências. São doentes que acabam ‘internados’ nas emergências à espera do devido encaminhamento para um leito adequado, correndo riscos de contrair infecções”, constata.

Dentre as especialidades mais afetadas no período, em nível nacional, constam psiquiatria, pediatria cirúrgica, obstetrícia e cirurgia geral. Já os leitos destinados à ortopedia e traumatologia foram os únicos que sofreram acréscimo superior a mil leitos. “Na realidade atual, só resta ao usuário do SUS rezar para não adoecer e não precisar de internação hospitalar. Sufocados com o congelamento da tabela SUS, hospitais filantrópicos estão fechando leitos ou cerrando as portas. Governos e municípios também não estão conseguindo manter suas estruturas hospitalares, que estão cada dia mais sucateadas. Mas, como a doença não avisa, as filas de espera não param de crescer e o que vemos são doentes fragilizados, se acumulando em cadeiras e macas improvisadas nos corredores dos prontos-socorros”, lamenta o 1º secretário do CFM, Hermann Tiesenhausen.

Estados e capitais – Em números absolutos, os estados das regiões Sudeste e Nordeste foram os que mais sofreram redução no período. Só no Rio de Janeiro, por exemplo, pouco mais de sete mil leitos foram desativados desde 2010. Na sequência, aparece Minas Gerais (-3.241 leitos) e São Paulo (-2.908). No Nordeste, a Bahia sofreu o maior corte (-2.126). Entre as capitais, foram os fluminenses os que mais perderam leitos na rede pública (-2.503), seguidos pelos fortalezenses (-854) e brasilienses (-807).

Na outra ponta, apenas oito estados apresentaram números positivos no cálculo final de leitos SUS ativados e desativados nos últimos cinco anos: Rio Grande do Sul (806), Mato Grosso (397), Rondônia (336), Santa Catarina (121), Espírito Santo (115), Amapá (87), Mato Grosso do Sul (56) e Tocantins (15). Nas capitais, 12 delas conseguiram elevar a taxa de leitos, o que sugere que o grande impacto de queda tenha recaído sobre as demais cidades metropolitanas ou interioranas dos estados.

Enquanto os 150 milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do SUS perderam quase 24 mil leitos desde 2010, o quantitativo na rede suplementar e nas unidades privadas aumentou em 2,2 mil o número de leitos no mesmo período. Ao todo, 17 estados elevaram o montante na rede “não SUS” até dezembro de 2015. Apenas Rio de Janeiro e Ceará sofreram decréscimos significativos, da ordem de 1.751 e 1.042 leitos a menos, respectivamente.

Leitos de observação e UTI – O levantamento do CFM apurou ainda os leitos de repouso ou de observação, utilizados para suporte das ações ambulatoriais e de urgência, como administração de medicação endovenosa e pequenas cirurgias, com permanência de até 24 horas no ambiente hospitalar. Nesta categoria, houve um aumento de 14% na quantidade de leitos no período.

Também foram apurados pela autarquia os leitos reservados às Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Ao contrário dos leitos de internação, essa rede apresentou alta de 23%, passando de 33.425 em dezembro de 2010 para 40.960 no mesmo mês de 2015. Apesar do acréscimo, uma análise detalhada do CFM constatou indícios de que quantidade de leitos de UTI na rede pública (49% do total) ainda seja insuficiente para atender as demandas da população. Leia mais em 86% das cidades brasileiras não possuem nenhum leito público de UTI.

Abaixo da média mundial – Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) não recomendem ou estabeleçam taxas ideais de leitos por habitante, é possível observar que, em relação a outros países com sistemas universais de saúde, o Brasil aparece com um dos piores indicadores.

De acordo com o relatório de Estatísticas de Saúde Mundiais da OMS de 2014, o Brasil possuía 2,3 leitos hospitalares (públicos e privados) para cada grupo de mil habitantes no período de 2006 a 2012. A taxa é equivalente à média das Américas, mas inferior à média mundial (2,7) ou as taxas apuradas, por exemplo, na Argentina (4,7), Espanha (3,1) ou França (6,4). Segundo o relatório, a densidade de leitos pode ser utilizada para indicar a disponibilidade de serviços hospitalares. As estatísticas de leitos hospitalares são geralmente extraídas de registros administrativos de rotina, como as bases do CNES, no caso do Brasil.





5.065 municípios brasileiros não possuem nenhum leito de UTI (público ou privado)

A oferta de leitos de Unidade de Terapia intensiva (UTI) em estabelecimentos públicos, conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) ou particulares está disponível em somente 505 dos 5.570 municípios brasileiros. O dado faz parte de recente análise do Conselho Federal de Medicina (CFM), que mapeou a distribuição dos leitos de UTI entre os estados e as capitais, além da oferta nas redes pública e privada, para tentar compreender um cenário que aflige milhares de médicos diariamente: hospitais com alas vermelhas superlotadas, repletas de pacientes improvisadamente entubados e à espera de infraestrutura apropriada para cuidados mais intensivos.

Ao todo, o Brasil possui quase 41 mil leitos de UTI, segundo informações do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Metade deles está disponível para o SUS, que potencialmente atende aos 204 milhões de brasileiros, e a outra metade é reservada à saúde privada ou suplementar (planos de saúde), que hoje atende a aproximadamente 25% da população. Embora o número de leitos de UTI tenha aumentado nos últimos anos – algo em torno de 7.500 nos últimos cinco anos – a quantidade de leitos no SUS ainda é insuficiente, sobretudo no SUS, onde a demanda é crescente.

“Todos os dias nós médicos testemunhamos a morte de pessoas que poderiam ser salvas pela disponibilidade de um leito de UTI. Para os governos, quando um paciente morre, trata-se apenas de mais um número. Para a família, no entanto, é uma tragédia”, critica Mauro Ribeiro, 1º vice-presidente do CFM.

Na avaliação dele, o lado mais desumano e perverso dentro do caos que assola a saúde pública no Brasil está na falta de leitos de UTI, onde pacientes entubados em ventiladores improvisados morrem de causas evitáveis. “Por mais que os médicos e toda a equipe multiprofissional se dediquem a salvá-los, esses pacientes não estão onde deveriam estar. A gama instrumental de uma UTI, aliada à capacidade da equipe que atua nela, permite que muitas pessoas sejam salvas. Então necessitamos urgentemente de políticas públicas que facilitem o acesso dos pacientes às unidades de terapia intensiva”, defendeu.

Leitos abaixo do ideal – Segundo o levantamento do CFM, em 70% dos estados não há o número de leitos de UTI preconizado pelo Ministério da Saúde para garantir o bom atendimento de sua população. Segundo a portaria ministerial nº 1.101/2002, deve existir de 2,5 a 3 leitos hospitalares por cada 1 mil habitantes. Já a oferta necessária de leitos de UTI deve ficar entre 4% e 10% do total de leitos hospitalares, o que corresponde a um índice de um a três leitos de UTI para cada 10 mil habitantes.

Se consideradas as unidades públicas e privadas, a quantidade de leitos de UTI representam atualmente 9,3% dos leitos de internação existentes no Brasil - em outras palavras, existe 1,86 leito para cada grupo de 10 mil habitantes. Proporcionalmente, no entanto, o SUS conta com 0,95 leitos de UTI para cada grupo de 10 mil habitantes, enquanto a rede “não SUS” tem 4,5 leitos para cada 10 mil beneficiários de planos de saúde – quase cinco vezes a oferta da rede pública.

Em 19 unidades da federação o índice de UTI por habitante na rede pública é inferior ao preconizado pelo próprio Ministério – todos os estados das regiões Norte (exceto Rondônia), Nordeste (exceto Pernambuco e Sergipe) e Centro-Oeste, além do Rio de Janeiro e Santa Catarina. No Acre, Roraima, Amapá e Maranhão o índice permanece abaixo do ideal mesmo se considerados os leitos privados disponíveis nestes estados.

Quando se observa as capitais, também é possível ver o desequilíbrio entre a oferta de leitos SUS e “não SUS”. Brasília (0,96 leito por 10 mil habitantes) e Rio de Janeiro (1,04), por exemplo, estão entre as piores capitais no setor público. Por outro lado, ambas estão entre as melhores capitais na proporção leito privado ou suplementar: 8,2 e 8,1, respectivamente.

SUS desigual – O estudo do CFM também chama a atenção para a distribuição geográfica dos leitos. Só o Sudeste concentra 22.200 (54%) das unidades de terapia intensiva de todo o País; 47% do total de leitos públicos e 61% dos privados. Já o Norte tem a menor proporção: apenas 2.058 (5%) de todos os leitos; 5,7% dos leitos públicos e 4,4% dos privados.

Os dados revelam ainda que os sete estados da região Norte possuem juntos menos leitos de UTI no SUS do que todo o estado do Rio de Janeiro: 1.141 e 1.289, respectivamente. Enquanto isso, São Paulo possui 26% dos leitos públicos disponíveis no Brasil, o que equivale quase à totalidade dos leitos públicos das regiões Norte e Nordeste.

Amapá (AP) e Roraima (RR), por outro lado, possuem juntos somente 56 leitos de UTI no SUS, o que representa 0,3% das unidades públicas do País. Quando comparados aos números do Mato Grosso do Sul (MS), por exemplo, verifica-se que os sul-mato-grossenses têm, em tese, quatro vezes mais leitos SUS à disposição que naqueles dois estados da Região Norte. Ressalta-se que a soma das populações de AP e RR correspondem, aproximadamente, a metade da população do MS.

Outro alerta do CFM é de que 44% dos leitos SUS e 57% dos leitos privados do Brasil encontram-se apenas nas capitais. Se observada a repartição entre as Regiões Metropolitanas, constata-se que 69% dos leitos de UTI do SUS e 81% leitos da rede privada e suplementar estão concentrados nestas áreas.

Pacientes procuram Justiça – Sem conseguir acesso aos leitos, pacientes e seus familiares recorrem à Justiça. Informações do Ministério da Saúde revelam que o gasto governamental decorrente de ações judiciais que exigem, principalmente, um leito de UTI e medicamentos de alto custo, atingiu a cifra de R$ 838,4 milhões somente em 2014.

O governo de São Paulo gastou, em 2015, cerca de R$ 1 bilhão no cumprimento de decisões judiciais. Segundo a Secretaria de Saúde estadual é cada vez maior o número de pessoas que recorrem ao judiciário para garantir o acesso à saúde. Em 2010, o estado foi réu em 9.385 ações, contra 18.045 no ano passado.

Baixe os aquivos do Levantamento do CFM:



Estudo CFM: Leitos SUS no Brasil - por regiões

Estudo CFM: Leitos de Internação, Repouso e Observação - por estado

Estudo CFM: Leitos de Internação, Repouso e Observação - por capital

Estudo CFM: Leitos de internação - Quantidade SUS por estado e Especialidade

Estudo CFM: Leitos de internação - Quantidade SUS por capital e Especialidade

Estudo CFM: Leitos de Internação - especialidades detalhadas

ABILIO DINIZ ESCREVE CARTA PARA MICHEL TEMER