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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Avanços na restauração da fertilidade da paciente com câncer

Europa registra caso de mulher que deu a luz a dois bebês saudáveis, em gravidezes separadas, após transplante de ovário criopreservado

Pela primeira vez, uma mulher deu à luz a dois filhos, depois de ter sua fertilidade restaurada por meio de um transplante criopreservado de tecido ovariano, que foi sido retirado e congelado antes do seu tratamento de câncer. Após o transplante de ovário, a deputada dinamarquesa, Stinne Holm Bergholdt, deu à luz a uma menina, em fevereiro de 2007, depois se submeter a um tratamento de reprodução humana assistida.

A surpresa veio em 2008, quando ela descobriu que tinha concebido um segundo filho naturalmente, e deu à luz a outra menina, em setembro de 2008. O médico que acompanha esta paciente, o professor Claus Yding Andersen, relatou o caso na revista da Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia, a Human Reproduction Journal. O artigo - The first woman to give birth to two children following transplantation of frozen/thawed ovarian tissue: case report – pode ser acessado no site http://humrep.oxfordjournals.org.

Segundo Andersen, "esta é a primeira vez no mundo que uma mulher teve dois filhos, de gravidezes distintas, após o transplante de tecido do ovário criopreservado. Estes resultados confirmam que a criopreservação do tecido ovariano é um método válido para a preservação da fertilidade de pacientes que se submetem a um tratamento de câncer”.

Até agora, nove bebês, em todo o mundo, nasceram como resultado do transplante de tecido ovariano criopreservado (incluindo aqui, os dois bebês de Bergholdt). Três destes nascimentos foram registrados pelo Prof. Andersen, membro do Centro de Reprodução Humana do Hospital Universitário de Copenhague (Dinamarca). Este é o maior número de crianças nascidas de um programa de criopreservação de ovário no mundo inteiro.

Entenda o caso...

A deputada Bergholdt, de Odense, na Dinamarca, foi diagnosticada com sarcoma de Ewing, em 2004. Antes que ela começasse a quimioterapia, parte do seu ovário direito foi removido e congelado. O ovário esquerdo de Bergholdt já havia sido foi removido alguns anos antes, por causa de um cisto dermóide, um tipo de tumor benigno de ovário. Seu tratamento do câncer foi bem sucedido, mas, como esperado, as drogas causaram uma menopausa.

Em dezembro de 2005, seis finas tiras de tecido ovariano foram transplantadas de volta ao que restava do seu ovário direito. Seu ovário começou a funcionar normalmente e, após uma estimulação ovariana leve, ela ficou grávida e deu à luz sua primeira filha, Aviaja, em fevereiro de 2007.

Em janeiro de 2008, a deputada voltou à clínica de fertilidade do Prof. Andersen para realizar novo tratamento fertilização in vitro. No entanto, um teste de gravidez revelou que ela já estava grávida, de maneira natural.

Hoje, a deputada que está com 32 anos de idade, ainda apresenta ciclos menstruais regulares e, atualmente, utiliza medidas de contracepção para evitar uma nova gravidez. Bergholdt diz que ela e o marido ainda não decidiram se querem mais filhos, mas, dentro de alguns anos, poderão pensar sobre isso novamente.

Preservação da fertilidade da paciente com câncer
Quando o câncer afeta uma paciente jovem - apesar de o adulto jovem receber melhor os tratamentos contra o câncer - é preciso observar algumas peculiaridades dessa fase da vida, antes de iniciar o tratamento oncológico. “A preservação da fertilidade é um fator muito importante nos tratamentos de mulheres mais jovens. Muitas pacientes ainda não tiveram filhos e alguns medicamentos podem prejudicar o seu sistema reprodutivo. Dependendo do tipo de tumor é possível combinar remédios menos invasivos. Mas, se for impossível preservar a fertilidade destas pacientes, as técnicas de reprodução humana assistida podem auxiliar estas mulheres”, defende o Prof° Dr. Joji Ueno, diretor da Clínica Gera.
Segundo o médico, pesquisas americanas apontam que a preservação da fertilidade é a maior preocupação das jovens com câncer de mama. Em, aproximadamente 29% das vezes, esta preocupação influencia na decisão terapêutica a ser adotada. “Por isto, é cada vez mais importante a atuação conjunta do especialista em reprodução humana com o oncologista, o ginecologista e o mastologista, visando preservar e restaurar a fertilidade desta paciente”, diz o médico.
“Hoje, os tratamentos da Reprodução Humana Assistida permitem tanto a preservação da fertilidade da paciente com câncer, quanto a obtenção da gestação, após o tratamento oncológico. Em cada caso, a equipe multidisciplinar que atende esta mulher definirá a melhor opção terapêutica”, afirma Joji Ueno.
Para preservar a capacidade reprodutiva das pacientes com câncer, é possível:
• Congelar óvulos - pois a infertilidade causada pelo tratamento da doença pode ser permanente. “O óvulo pode ser congelado por vários anos. Depois da cura do câncer, a fertilização será feita com o esperma do homem que será o pai A técnica ainda apresenta poucos resultados positivos no mundo. As condições para gravidez com óvulos congelados, atualmente, atingem 20%”, afirma Joji Ueno;
• Congelar pré-embriões - o congelamento de pré-embriões sempre gerou uma discussão social muito fervorosa, principalmente devido a questões éticas e religiosas. “O embrião também pode se manter congelado por um tempo indefinido, mas muitas religiões consideram que a vida se inicia no momento da concepção. O embrião, portanto, é tratado como um ser vivo. Seu eventual descarte pode ser considerado uma conduta anti-ética”, explica Joji Ueno. Uma outra dificuldade do congelamento de pré-embriões é que, se a mulher quiser implantá-los, terá de pedir autorização ao pai, ou seja, ao parceiro que fecundou o óvulo;
• Congelar fragmentos do ovário - que posteriormente, podem ser transplantados novamente para a paciente ou submetidos a uma técnica laboratorial de amadurecimento in vitro. Ao se submeter à quimioterapia ou/e à radioterapia, os folículos dos ovários da paciente portadora de câncer serão destruídos e não se recomporão mais. “Por isso, o especialista em Reprodução Humana Assistida faz a retirada de uma parte superficial destes órgãos, antes da mulher se submeter a estes tratamentos. Esses fragmentos podem ser reimplantados mais tarde e a mulher passará a ovular novamente. Poderão se beneficiar do congelamento de fragmentos do ovário mulheres com câncer de mama, de colo de útero, e ainda, leucemia, linfoma e sarcomas”, afirma Ueno.
CONTATO:
www.clinicagera.com.br
http://medicinareprodutiva.wordpress.com
http://twitter.com/jojiueno