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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

VOLTA ÀS AULAS: ADAPTAÇÃO INFANTIL

A primeira semana de aula é a oportunidade de que o elo entre o trinômio: pais, educadores e alunos, seja consumado por todo o ano letivo

A primeira semana de aula é sempre sinônimo de novidades. Professores, amigos e disciplinas diferentes despertam a ansiedade na garotada. Quando o assunto é educação infantil, a expectativa e os problemas são mais intensos, inclusive por parte dos pais. No entanto, o martírio pode ser transformado em um importante elo entre a escola, pais e alunos, quando a adaptação infantil é realizada com um projeto sólido e acompanhamento técnico.

O período de adaptação infantil costuma durar de uma a três semanas e começa assim que a criança entra na escola. “É um processo de acolhimento em que a maior preocupação é fazer com que as crianças e pais se sintam à vontade com o colégio. A rotina é diferenciada, há muita atividade recreativa, ideais para a socialização”, conta Patrícia Bisseti, orientadora educacional e pedagógica do Colégio Pio XII.

No Colégio Pio XII, os responsáveis são convidados a participar da primeira semana de aula, ao lado dos filhos. A orientadora ratifica que, “a presença de alguém de confiança e familiaridade da criança lhe dá segurança. Não é recomendável que eles fiquem dentro da sala de aula, mas caso a criança se mostre arredia, costumamos pedir que o responsável fique ao lado até que ela se solte”.

Segundo Patrícia, o Colégio Pio XII tem um diferencial que busca explorar ao máximo durante todo o ano letivo, e que é fundamental na adaptação infantil: o rancho. “Quando a criança chega a uma escola que tem, dentro de uma cidade como São Paulo, um rancho, com uma grande diversidade de animais, e uma área verde imensa, ela sente menos o impacto da separação com a família. Estes elementos da natureza são aproveitados, inclusive, na recreação, sendo utilizados nos trabalhos e brincadeiras”.

As atividades lúdicas, motoras e simbólicas fazem parte da estratégia de conquista. O emprego de objetos sinestésicos, como livros interativos, com som e coloridos é uma excelente estratégia. A massinha, o guache e as atividades artísticas, como o teatro, a música e a pintura a dedo, cativam as crianças e as fazem deixar de colocar o fato de estarem em um lugar estranho como prioridade.

Entre os motivos do conflito durante a primeira semana de aula está o estranhamento. “Para evitá-lo é válido permitir que a criança tenha dentro da escola um objeto da casa e fazer com que ela leve pra casa alguma coisa da escola. Essa permuta tem como objetivo aproximar os dois universos e mostrar que um é a extensão do outro”, argumenta a orientadora.

Uma adaptação bem feita evita futuros traumas e é responsável pelo despertar da criança pelo estudo. Para Patrícia, o primeiro passo começa com a escolha da instituição de ensino. “Quando os pais se identificam com o colégio escolhido, por suas diretrizes, valores e espaço físico, eles tendem a se sentir seguro e esta segurança é transmitida à criança. O ideal é que haja diálogo entre os pais, orientadores e diretores”, pontua.

Outro dilema que permeia entre os pais é se há a idade ideal para a inserção da criança na escola, mesmo que o atual contexto sócio, econômico e cultural tem levado os pais a colocar seus filhos cada vez mais cedo. Patrícia livra os pais da culpa e afirma que “a criança que entra na escola já no maternal, ou até o Infantil II, tende a ser mais sociável e a ter sua capacidade motora e cognitiva mais desenvolvida. Além disso, sua adaptação é mais fácil, pois os professores têm a possibilidade de trabalhar com o lúdico em tempo integral”.

No entanto, mesmo que a criança e seus pais estejam seguros e satisfeitos com a escola, o acompanhamento sistemático é fundamental. “Como nas primeiras semanas de aula há muita recreação, quando as obrigações começam a aparecer e a criança sente que está ficando mais sério o compromisso pode haver mudança no comportamento”, conta Patrícia.

Ciente dessa necessidade o Colégio Pio XII investe no acompanhamento técnico e individual. Cada sala de aula tem além da professora uma assistente. Além disso, a orientadora educacional e pedagógica está sempre presente a fim de notar possíveis mudanças de comportamento ou atitudes preocupantes, investindo sempre no diálogo com a família. Patrícia acrescenta que, “Há uma reunião semanal com a equipe pedagógica e educacional que avalia aluno por aluno, situação por situação”.

Mini-currículo - Patrícia Bisseti: Graduada em Administração de Empresas pela Faculdade Campos Sales; Pedagogia, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, e pós-graduada em múltiplas deficiências e deficiências sensoriais, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.