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sábado, 11 de julho de 2009

EXPOSIÇÃO DE SOPHIE CALLE

Exposição de Sophie Calle tem noite de abertura concorrida em São Paulo
Evento faz parte calendário oficial do Ano da França no Brasil

“Cuide de Você”, uma das mais famosas e polêmicas mostras da artista conceitual francesa Sophie Calle, foi aberta para convidados na noite desta sexta-feira (10 de julho) no galpão do SESC Pompeia, em São Paulo. A exposição, inédita na América Latina, faz parte do calendário oficial do Ano da França no Brasil e ficará em cartaz na capital paulista até 7 de setembro. Em seguida, parte para Salvador, onde ficará no Museu de Arte Moderna da Bahia entre 22 de setembro e 22 de novembro.

O tema da exposição gira em torno de uma carta de rompimento que a artista recebeu de seu ex-namorado, o escritor Grégoire Bouiller. Calle distribuiu a mensagem para outras 107 mulheres – desde celebridades a anônimas, de familiares ou amigas a estranhas – para que cada uma a interpretasse à sua maneira, através de sua própria linguagem. A lista de convidadas vai desde a mãe da artista, a compositora Laurie Anderson, a DJ Miss Kittin, as atrizes Jeanne Moreau, Victoria Abril e Maria de Medeiros, além de profissionais como linguista, revisora, sexóloga, juíza, delegada, taróloga, antropóloga, designer, assistente social, criminologista e clarividente. O resultado final consiste em um inovador exercício de reflexão, no qual diferentes linguagens, profissões, expressões artísticas e pontos de vista interagem em torno de um tema cotidiano e universal.

Para o presidente do Comissariado Brasileiro do Ano da França no Brasil, Danilo Miranda, Sophie Calle é uma das maiores artistas da atualidade. “Ela é peculiar, pois pega um fato relevante de sua vida, embora pessoal, e o transforma em um evento artístico significativo. E faz isso por meio de uma diversidade de mídias: fotos, vídeos, depoimentos, escrita, interpretações, ou seja, vários módulos de arte”. De acordo com Miranda, a obra leva a vários questionamentos além dos próprios depoimentos: “O limite entre o público e o privado, como transformar algo de caráter muito pessoal em uma obra universal e aberta, tudo isso é discutido. E é o que há de mais contemporâneo em arte tanto no mundo quanto na França, em particular. Portanto, é fundamental a presença desse evento no Ano da França no Brasil”, afirma Miranda.

Para ele, embora a iniciativa de Calle possa parecer à primeira vista um tanto agressiva para o público que ainda não a conheça, o tema foi tratado com extrema delicadeza. “É tão envolvente e levanta tantos questionamentos que acaba por impedir a banalização, o entendimento vulgarizado, de um machismo ao contrário. Tudo isso aparece como algo absolutamente superado. É realmente algo muito especial que temos aqui hoje”, afirmou.

A visão da artista

“Nunca expus aqui, e isso é uma boa experiência. As instalações são excepcionais, o local é excelente e corresponde muito bem às necessidades de meu trabalho. Ele até o valoriza. Isso para mim é o mais importante”, afirmou Sophie Calle. Ao ser perguntada sobre a expectativa da recepção do publico brasileiro, a artista admitiu que não pode se preocupar com esse fator: “Espero somente que o público venha e aprecie essa mostra como uma obra de arte, não somente como uma guerra entre os sexos. Até porque esse trabalho não se resume a isso. Para mim, trata-se de utilizar um objeto que fez parte de minha vida – e talvez isso venha a chocar algumas pessoas por se tratar de uma carta – para me expressar artisticamente. Como o próprio autor da carta aceitou participar desse projeto, a opinião dos outros homens realmente não me importa”, afirmou sorrindo.

Para Solange Farkas, curadora da exposição e diretora da Associação Cultural Vídeo Brasil, responsável por trazer a mostra ao Brasil, os sentimentos que a artista colocou em seu trabalho, como a dor e o sofrimento, o tornam extremamente acessível a um público mais amplo. “A relação do trabalho da Sophie com o público é o grande trunfo dessa exposição. Trata-se de um diálogo bem direto com um público comum, que não precisa ser necessariamente iniciado em arte contemporânea para usufruir de seu conteúdo. Por essa razão resolvemos trazê-la. Não só porque a considero a artista contemporânea mais importante do mundo, mas porque ela combinava com a proposta agregadora do Ano da França no Brasil”, afirmou.

Já para Beatriz Leandro, assessora da Diretoria de Relações Internacionais do Ministério da Cultura, a exposição só não foi perfeita por causa de um detalhe: a própria carta de Grégoire Bouiller, a quem ela não poupou bem-humoradas críticas. “Mais seriamente, a exposição é sublime, criativa, inteligente, tem todos os elementos de uma relação que termina”, afirmou. Para ela, uma artista da envergadura de Sophie Calle, que ainda não é tão conhecida no país, aproxima o público brasileiro para um lado da França que ainda não é totalmente conhecido “Um dos grandes objetivos do Ano da França no Brasil que estamos cumprindo é o de trazer novos talentos, e assim mostrarmos uma outra face da França, bem mais descontraída”.

Público

Entre os convidados da noite de abertura, o destaque ficou para a atriz Marisa Orth, que analisou pacientemente cada uma das peças da exposição. “Essa exposição é muito interessante, uma tremenda idéia, a gente se envolve. Eu gosto mesmo dessa idéia de conselho de mulheres. Dá muita força ver toda a mulherada junta”. Ao ser perguntada sobre o que ela faria caso tivesse sido convidada a analisar a carta, após uma rápida reflexão, a atriz revelou: “Acho que eu imitaria ele (Grégoire), como se ele estivesse contando a carta. Botaria sua roupa, faria uma performance como se fosse ele na hora em que ele estivesse escrevendo”, afirmou Marisa.

O público feminino presente à noite de abertura pareceu bem propenso a “tomar partido” de Sophie. As figurinistas Alice Alves e Mariana Pompeu, que não conheciam ainda o trabalho de Sophie Calle, apoiaram inteiramente a iniciativa. “A idéia dela é o máximo, é a vontade que toda mulher tem. Imagine receber uma carta dessas e ao contrário de ficar chorando mostrar sua indignação pra todo mundo. Tem que colocar a boca no trombone mesmo”, disse Alice. “Também não posso negar que adorei o que ela fez. Mas as visões particulares e a diferença na reação de cada uma das 107 convidadas também servem outro forte atrativo”, afirmou Mariana, mais comedida.

Os patrocinadores do Ano da França no Brasil (http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/) são:

Comitê dos patrocinadores franceses:
Accor, Air France, Alstom, Areva, Caixa Seguros, CNP Assurance, Câmara de Comércio França-Brasil, Dassault, DCNS, EADS, GDF SUEZ, Lafarge, PSAPeugeot Citroën, Renault, Saint -Gobain, Safran, Thales, Vallourec.

Patrocinadores brasileiros:
Banco Fidis, Bradesco, BNDES, Caixa Econômica Federal, Centro Cultural Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Fiat, Gol, Grupo Pão de Açúcar, Infraero, Oi, Petrobras, Santander, Serpro, SESC.

Parceria e realização:
TV5, Ubifrance, Aliança Francesa, Culturesfrance, Republique Française,TV Brasil, Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Cultura,Governo Federal do Brasil.
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