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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Butantã capacita agentes para atuar em ataques de escorpiões

Os bairros do Ipiranga e Moinho Velho, na capital paulista, registraram, há cinco anos, várias ocorrências de escorpiões. Lapa, Mooca e Cidade Tiradentes também já detectaram o problema em outras ocasiões. No começo deste ano, a vítima foi uma creche em Pirapozinho, a 580 quilômetros da capital. Apesar desses e outros casos, Paulo Goldoni, biólogo do Instituto Butantan e especializado em Saúde Pública e Controle Biológico, explica que a quantidade desses animais não aumentou nos últimos anos.
O que ocorreu é que “informatizou a notificação dos casos”, destaca o profissional. Desde 1988, segundo ele, foram disponibilizadas ferramentas, como a Internet, que possibilitaram a melhoria dos dados. “Hoje, pelo último levantamento que temos, os acidentes com escorpiões ultrapassaram os relacionados a serpentes”, informa.Goldoni observa ainda que esses casos em meio urbano devem-se ao que chama de “incidência do encontro”. Ou seja, é mais fácil localizá-los quando são desalojados de seu habitat – pela expansão imobiliária, por exemplo. Isso ocorre porque tendem a se dispersar, principalmente se existe via para isso, como os esgotos, onde se concentram as baratas, seu principal alimento em meio urbano.
Eliminar focos – Segundo o biólogo, não existe veneno de efeito comprovado cientificamente para combater os escorpiões. Muitas empresas vendem produtos que, na verdade, não eliminam o animal, apenas o afugentam, ao dificultar sua respiração. “As pessoas acham que o problema está resolvido, mas, poucos meses depois, eles reaparecem”.
Na década de 1990, lembra Goldoni, ocorreram em algumas cidades paulistas registros de ataques de escorpiões. Os focos estavam em cemitérios (devido à enorme população de baratas) e ao longo da rede ferroviária (por se esconderem nos dormentes dos trilhos). Com a aplicação de veneno no local, os animais haviam-se espalhado para as casas vizinhas.
Ao encontrar um escorpião num determinado local ou dependência, uma das primeiras medidas é identificar o que há próximo (imóvel abandonado, terreno baldio, zona rural, área de mata). Pelo menos 85% dos atendimentos no Instituto Butantan se referem a ocorrências próximas a terrenos baldios ou galpões abandonados por empresas, esclarece o biólogo.
Ao se deparar com escorpião perto de áreas habitadas, outra providência é, se possível, capturá-lo e encaminhá-lo ao Butantan para identificação (de espécie, periculosidade, entre outras). Em residências, a medida mais eficaz é vedar ralos e janelas com tela verde utilizada contra mosquitos, e retirar entulhos.
Com a identificação elaborada pelo Butantan, o interessado pode acionar o Centro de Controle de Zoonoses para providências em relação ao local de proliferação do animal. Ou seja, é preciso eliminar os focos. Em caso de terrenos baldios, o órgão pode solicitar a limpeza da área, que tem de ser feita pelo menos a cada dois meses. Outra dica é efetuar o controle químico de baratas em caixas de gordura e de esgoto, pois esses insetos atraem escorpiões.
Ao manipular entulhos ou materiais dispostos em ambientes suspeitos, o ideal é utilizar sapatos fechados e luvas de raspa de couro (encontradas em casas de jardinagem), que impedem a entrada do ferrão. Os escorpiões preferem atacar os dedos das mãos e pés, conforme revelou pesquisa realizada durante anos com pacientes do Butantan.
Publicações – A sensação mais comum após a picada é a dor (às vezes, muito intensa) no local. Numa frequência menor ocorrem vômito, sudorese e, nos casos mais graves, insuficiência cardíaca. Essas manifestações são mais comuns em crianças e, geralmente, aparecem nas primeiras três horas após a picada, podendo levar à morte. Quanto menor a faixa etária, maior o risco, segundo a médica Ceila Maria Malaque, do Hospital Vital Brazil, pertencente ao Instituto Butantan.
“Em casa não há muito que fazer”, observa a doutora. “No máximo, uma compressa de água morna no local da picada, para aliviar a dor”. Em seguida, é necessário procurar o serviço médico mais próximo com urgência, principalmente quando se tratar de criança. Se há apenas dor muito forte onde ocorreu a picada, o melhor é passar anestésico no local. Caso existam outras manifestações, é indicado soro, que deve ser administrado logo que apareçam os sintomas.
As solicitações de providências em relação a casos de escorpiões devem ser feitas a um dos três órgãos municipais: Centro de Vigilância Ambiental, Sanitária ou de Controle de Zoonoses, de acordo com o número de habitantes do lugar. O Instituto Butantan, órgão estadual da Secretaria da Saúde, não interfere em termos locais. Apenas fornece cursos de capacitação para os técnicos municipais, além de receber e classificar animais quanto à periculosidade e produzir soro. A qualificação se dá mediante solicitação que as prefeituras fazem ao Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), instituição estadual com quem o Butantan mantém parceria. Mais informações, no site do Butantan.
Para auxiliar na tarefa de treinamento, há duas publicações em reedição: uma delas, sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde, é o Manual de vigilância epidemiológica: acidentes por animais peçonhentos – identificação, diganóstico e tratamento, elaborado em 1993, em parceria com o Instituto Butantan. A obra – com informações sobre animais venenosos, inclusive escorpiões – agora terá fotos em cores, entre outras novidades, além de dispor de versão on-line. A distribuição se restringirá ao Estado de São Paulo, sendo os médicos o público-alvo. A outra publicação, específica sobre o aracnídeo, é reeditada pelo Ministério da Saúde. O objetivo é a capacitação de gestores em zoonoses e profissionais da Saúde (como agentes e técnicos). A distribuição será para todo o País.
Espécie reproduz sem auxílio do macho
No Brasil, há cerca de cem espécies de escorpiões conhecidas, das quais apenas quatro são consideradas perigosas: Tityus serrulatus (escorpião amarelo), Tityus bahiensis (marrom), Tityus stigmurus e Tityus paraensis. A primeira é encontrada do sul da Bahia ao norte do Rio Grande do Sul, inclusive na região Centro-Oeste. Sua peculiaridade é a reprodução por partenogênese (ou seja, as fêmeas se auto-reproduzem, não sendo necessária a participação do macho). Em razão dessa característica, há estudos que apontam a tendência de ultrapassar em número a marrom, cuja reprodução envolve macho e fêmea. No Estado de São Paulo, por exemplo, predominam essas duas espécies. As outras, perigosas, restringem-se ao Nordeste (Tityus stigmurus) e Norte do País (Tityus paraensis). O soro produzido pelo Butantan só é eficaz para as três primeiras espécies. A instituição tem projetos para construção de uma base na Amazônia, o que possibilitará a produção de soros para diversas espécies de animais peçonhentos de outras regiões do País. O projeto está em fase de captação de recursos.
Curiosidades sobre escorpiões:

70% dos acidentes com escorpiões ocorrem em áreas urbanas
Os escorpiões são errantes (ou seja, caminham). Podem percorrer, por exemplo, um quarteirão
Conseguem atingir pontos elevados, como o teto de edificações. O Instituto Butantã já os capturou até no 19o andar de um edifício
Sapos, corujas, quatis, saguis, seriemas e gambás são alguns dos predadores naturais dos escorpiões. Desses, o que vive mais próximo de áreas urbanas e rurais é o gambá. Galinhas, principalmente as d’angolas, também agem como predadoras
Os escorpiões têm olhos, mas não enxergam. Como não têm proteção direta contra a luz, preferem viver em ambientes escuros e com melhores condições de temperatura.
Mais informações, no site http://www.butantan.gov.br/, link cursos e material didático
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